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"- Lívia, se você não guardar estes brinquedos espalhados no chão eu vou jogar tudo fora.

- Pode jogar. Eu já cansei deles mesmo."



Obs: Coloquei tudo no saco de lixo, sob os olhares atentos da pequena e ela nem ligou, pelo contrário, me ajudou a colocar no saco.

É claro que não vou jogar fora, até porque tem mta coisa da Júlia junto, vou esconder por uns tempos... Mas que dá vontade... ahhhh dá.

Contando até 1000: 1, 2, 3...

Comentários no face aqui.

Primeiras impressões em BH:

1) Júlia disse que estava com saudades das coisas e cismou que fizeram mudanças na casa (como a coitada da maçaneta). Tá feliz.

2) Lívia acordou em casa e veio logo tirar satisfações: "O que a gente tá fazendo aqui? Eu quero a... casa nova". Tá desconfiada.

3) Um dia, um conhecido nosso que morava no interior e nunca tinha vindo à capital, ao chegar disse que "BH tinha cheiro de maçã". Nunca me esqueci desta comparação inusitada.

Mas ontem ao chegar tive a sensação de ter sentido cheiro de pão quentinho, saindo do forno. Talvez seja porque BH tem o calor de um abraço. Tô em casa!

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Saldo do vocabulario após quase 2 meses no Rio de Janeiro:

Lívia agora chama escorregador de "ixxxxxxcurrega"

Júlia aprendeu com o amiguinho espanhol e agora diz "mira, mira"

#globalização





Eu estava chamando a atenção das meninas e Lívia me fala:


"Mãe, esquece de nós"


Dizem que na adolescência piora...


Dai-nos sabedoria e porção redobrada de paciência.



Durante o almoço:



"Eu: Júlia, antes você gostava de comer carne, adorava peixe e agora não gosta mais.
Agora você gosta do Vinícius, mas depois pode não gostar mais.

Júlia: - Vou gostar sim, porque ele mora dentro do meu coração, para tirar ele vai ter que arrancar meu coração"


O pai perdeu o apetite.

Uma pergunta a princípio simples e uma resposta mais simples ainda.

“- Júlia, porque você é tão linda assim?

- Porque sua barriga me fez assim.”

E não parou por aí.

“- Quando eu estava na sua barriga, você comeu só coisas gostosas aí eu fiquei bonita!”

Deve ser isto mesmo.


PS: Ainda bem que ela disse "coisas gostosas" e não "coisas bonitas" porque, pensando bem, aquelas dezenas de tortas de bananas que comi eram bem gostosas, mas tinham uma aparência bem feias. ...



Hoje a Júlia chorou. Foi um choro triste, sentido, dolorido. Tudo porque acredita que suas colegas de escola não gostam dela, sentiu-se excluída em uma situação e isto a fez questionar o porquê. Mal sabe ela que não existem respostas para a maioria dos “porquês”.


É triste ver um filho chorando, ainda mais triste quando se trata de situações pelas quais a gente não pode protegê-los.

Deu vontade de explicar para ela que existe uma grande diferença entre “colegas” e “amigos”. Falar que amigos de verdade não nos fazem chorar e que não vale a pena sofrer por quem não nos dá valor.

Deu vontade de dissertar sobre a existência da ingratidão e que não devemos esperar muito das pessoas para não nos magoar.

Queria explicar que isto tudo faz parte do crescimento, quando a gente descobre que o ser humano é imperfeito, que pessoas podem nos magoar e que a decepção é acompanhante de quem tem bom coração.

Deu vontade de chorar junto com ela.

São crianças. Apenas crianças, entretanto sofrem e fazem outras sofrer.

Hoje foi mais um daqueles dias em que a gente descobre que por maior que seja nosso amor, não podemos impedi-los de sofrer. Hoje foi mais um daqueles dias que só pude oferecer meu colo, meu abraço e minha oração para que o caminho delas seja o mais leve possível e que as desilusões sejam superadas dentro de um abraço apertado e um sorriso amigo.

Vai passar, tudo passa e com crianças esta premissa parece ser ainda mais contundente. Para mim, vai demorar mais um pouco, mas também vai me fortalecer para poder ajudá-las a enfrentar outras possíveis situações que estejam por vir.

Que Deus nos dê sabedoria!

O que fazer quando um filho sofre?


A maternidade não nos traz manual com estas respostas.

Hoje a Júlia chorou. Foi a dor do crescimento, da mágoa, da decepção.

Quisera eu poder impedi-la de sofrer e explicá-la que "tudo, tudo passa".


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